Fotos: Jornal O Farol - No feminino, a medalha de ouro ficou com Dorcas Jepchirchir Kiptarus, do Quênia que também desbancou o recorde anterior da modalidade, cruzando a linha de chegada três minutos e meio à frente da brasileira Marily dos Santos.

A explosão de alegria de Franck Caldeira ao cruzar a linha de chegada em primeiro lugar

A explosão de alegria dos organizadores com a vitória de Franck Caldeira uma espécie de Garoto Propaganda desta prova e que por dois anos consecutivos havia batido na trave ficando com o segundo lugar.

Empurrados pela baixa temperatura (que exigia ainda mais movimento para aquecer o corpo) e respirando o ar puro do pulmão verde do Parque Nacional do Iguaçu, o brasileiro Franck Caldeira e a queniana Dorcas Jepchirchir Kiptarus foram os vencedores da Meia Maratona das Cataratas do Iguaçu, realizada ontem (3) em Foz do Iguaçu, que tem a Itaipu como patrocinadora master deste evento desde a sua primeira edição.
No masculino a disputa foi acirradíssima e há poucos metros da linha de chegada não dava para definir o vencedor. Paulo Roberto Silva e Daniel Maciel de Souza cruzaram a linha de chegada grudados nos calcanhares de Franck.
Apesar do esforço para a quebra do recorde desta competição, Franck cruzou a linha de chegada à face tranqüila, ajoelhando-se, beijando o chão e explodindo de alegria. Por dois anos consecutivos ele tinha cruzado a linha de chegada em segundo lugar e vencer esta prova era uma questão de honra. “Eu já havia ganhado tudo, o pan-americano, a São Silvestre. Mas se não vencesse aqui, não iria para casa feliz. Esta é uma prova especial para mim e, apesar do frio, eu me esforcei para fazer o melhor”, disse ele ao cruzar a linha de chegada.
Franck Caldeira terminou os 21.097 metros do percurso com um tempo de 1h03min05s – 32 segundos à frente do recorde anterior, de 1h03min37s, batido em 2009 por João da Bota.
Segundo os organizadores, os recordes também apareceram no número de participantes. Nesta edição, foram inscritas 1.736 pessoas, 682 a mais que na disputa de 2010. A corrida está integrada ao ranking da Confederação Brasileira de Atletismo (Caixa/CBAt).
Entre as mulheres, a queniana Dorcas Jepchirchir Kiptarus cruzou a linha de chegada com um tempo de 1h13min31s. O bom desempenho lhe rendeu a quebra do recorde de Anne Cheptanui Bererwe, que fechou a corrida com o tempo de 1h14min45s em 2009. Marily dos Santos (01h17min0s) terminou com a medalha de prata, seguida por Sirlene Souza de Pinho (01h17min33s), bronze da disputa feminina.
Confira os resultados.
Masculino
1º Franck Caldeira, 28 anos – Tempo: 1h03min05s
2º Paulo Roberto de Almeida, 32 anos – Tempo: 1h03min06s
3º Damião Ancelmo de Souza, 32 anos – Tempo: 1h03min10s
4º Giomar Pereira da Silva, 39 anos – Tempo: 1h03min11s
5º Giovani dos Santos, 30 anos – Tempo: 1h03min19s
Feminino
1ª Dorcas Jepchirchir Kiptarus, 21 anos – Tempo: 1h13min31s
2ª Marily dos Santos, 33 anos – Tempo: 1h17min0s
3ª Sirlene Souza de Pinho, 35 anos – Tempo: 1h17min33s
4ª Conceição de Oliveira, 36 anos – Tempo: 1h17min57s
5ª Ilda Alves dos Santos, 39 anos – Tempo: 1h18min25s
Corredores de diversas Estados do Brasil e de outros países, entrevistados ao vivo pela Rádio TransAmérica, que é bom que se diga, efetuou uma ótima transmissão, foram unânimes em elogiar a impecável organização da prova.
O único fato negativo, devido ao grande número de participantes, foi na hora da entrega dos pertences dos corredores. Demorou-se muito tempo até ser encontrada as mesmas. “Gastei muito mais tempo na fila paras retirar a minha mochila do que fazendo o percurso da prova”, reclamava um dos participantes.
A festa do Participantes
Independentemente do tempo gasto para fazer o percurso, era emocionante ver estampado no rosto dos atletas a explosão de alegria de ter conseguido concluir o percurso, passar a linha de chegada e receber uma belíssima medalha de participação.

A explosão de alegria por ter concluído o percurso, independentemente do tempo gasto

O último corredor a cruzar a linha de chegada, recebido carinhosamente pelos organizadores
Pisamos na bola com o Luiz Antônio
Luiz Antônio Teixeira da Silva, é meu irmão, 59 anos, atleta amador que corre por puro prazer e veio de Cláudia no Mato Grosso, fazendo mais de 1500 quilômetros só para participar deste evento.
Acostumado com corridas de longas distâncias, pois já participou de diversas maratonas e de meia maratona, ele tinha o seu tempo na ponta da língua. Antes de deixá-lo na linha de largada em frente ao Hotel Mabu, perguntei em quantos minutos ele achava que deveria completar a prova. “Meu tempo para esta distância é de 2h05, antes desse tempo acho impossível cruzar a linha de chegada”.
Lá fui eu a linha de chegada para tirar uma foto e comprovar o seu tempo. Assim que bati as fotos dos primeiros colocados, conversando com um e com outro, sempre de olho no cronômetro estampado no painel para não perder a foto do mano velho.
Por volta de 1h50, me dirigi para bem perto da linha de chegada já esperando para bater a foto. Mas cadê o Negão. Moral da história, fiquei plantado até passar o último corredor com mais de três horas de corrida e nada do rapaz.
Fui atrás do CIAT, da ambulância e das motos que chegara atrás do último corredor e perguntei se alguém não tinha concluído o percurso. Foram unânimes em afirmar que todos tinham concluído o percurso.
Voltei para o Hotel Mabu e fui procurar o Negão junto aos Organizadores da Prova para ver se tinha acontecido alguma coisa com ele e não tinha largado. A Sãomiguelense Ana Biesek, coordenadora de ventos do Hotel Mabu, prontamente se dispôs a me auxiliar a encontrar o atleta desaparecido.
Minutos depois encontro o rapaz, feliz da vida ostentando com orgulho a sua lindíssima medalha de participação. Acontece que oxigenado pelo ar puro do Parque Nacional, a exemplo de Franck Caldeira, Luiz Antônio também baixou o seu próprio recorde em mais de 15 minutos. E quando eu me dirigi para o local, para registrar a sua chegada, ele já tinha passado por lá há cinco minutos e ficou na fila para pegar a sua mochila por mais de uma hora.