Banner novembro azul

 
 
   Categorias
  ATLETISMO
  Banco do Brasil
  Brasil
  Cartas do Leitor
  Educação
  Ego Famosos
  ENTREVISTAS
  Esporte
  Eventos
  Falando Sério
  Familias
  Foz do Iguaçu
  Geral
  Itaipu Binacional
  Lindeiros
  Moda
  Mundo
  Oeste
  Opinião do Leitor
  Policiais
  Politica
  Santa Terezinha de Itaipu
  São Miguel do Iguaçu
  SICOOB
  SINSMI
  Sociais
  Virtudes e valores
 
     
   Colunistas
Bruno Peron
Cultura
Inácio Dantas
João Maria
Miss Paraná
 
   
 
   Previsão
 
 

 
 
 
Envie por email
 
TUTORIAL DE ILUSÕES
  Data/Hora: 11.nov.2013 - 14h 8 - Colunista: Bruno Peron  
 
 
clique para ampliar

Bruno Peron - Ouvi de um compatriota: “Você é o único brasileiro que conheço na Inglaterra que só tem passaporte brasileiro.” Os demais têm cidadania italiana, espanhola, portuguesa, e outras. Uma breve conversa sobre identidade seguiu este comentário.

Ele me revelou que, depois de morar mais de dez anos na Europa, havia tentado a vida no Brasil, onde recentemente ficou sete meses, mas a Lei de Gérson (assim mesmo falou) impediu-o de permanecer. Não se acostumou com a ubiquidade da corrupção, que está tão institucionalizada e que tanto espanta aqueles que não a aceitam de maneira alguma. Sendo assim, fez valer seu passaporte italiano.

O que mais provoca curiosidade é o modo como os brasileiros sempre conseguem o que querem, ainda que por vezes tenham que desculpar-se, fingir, mentir, omitir, trapacear e passar por cima do cadáver. Temos experiências recentes desde o sumiço do pedreiro Amarildo, que foi levado a depor numa Unidade de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro e depois dali ninguém mais o viu, até aqueles que escarafuncham suas árvores genealógicas a fim de descobrir um tataravô italiano, espanhol ou português. Com elas, tiram cidadania e passaporte europeus, passam pela Migração através da fila rápida e bebem da fonte civilizatória.

Há diferenças entre a Lei de Gérson e o jeitinho brasileiro, porém. Aquela refere-se ao comportamento de tirar vantagens em tudo que puder, enquanto este é uma versão tupinica da máxima maquiaveliana de que “os fins justificam os meios”. Como uma de minhas linhas argumentativas é que o Brasil é o lugar que hospeda o melhor e o pior do mundo (talvez por disputar o posto de “coração do mundo” como pregam os espíritas), nossa maior preocupação é o tutorial de ilusões.

Através deste tutorial de ilusões, indivíduos que abusam da legitimidade de ensinar raramente fazem mais que reproduzir ideologias colonialistas e obsoletas em sala de aula enquanto lutam somente por aumento de seus salários. O tutorial não acaba aqui. A politização das juventudes tem sido feita com a defenestração de seus ideais progressistas para que, no lugar, discutam como conquistar o poder e segurá-lo como Góllum ansia pelo anel dourado no filme O Senhor dos Anéis.

A discussão sobre identidades no Brasil desperta-me um certo sentimento idealista, mas jamais utópico. Sei que estes ideais não têm o mesmo alcance que as frequências da televisão, que vibram em lugares remotos do país. Quer dizer, existe algo em comum entre um morador no interior da Amazônia e outro no subúrbio de São Paulo. E não se trata somente de um nexo de idioma. A identidade nacional deve muito à expansão dos meios de comunicação, apesar dos pesares.

A televisão sugere que o país está em chamas e que a violência é infrene, o que não corresponde à realidade. O que mais influi neste processo das identidades é o questionamento sobre quem tem cumprido papel de professor (ainda que não o seja), e o que este tem ensinado para manter os brasileiros em coesão identitária. O pequeno empreendedor brasileiro tem pouco incentivo para começar seu negócio e dar-lhe continuidade, enquanto o Estado aparenta ser o único que acredita no cidadão devido à generosidade das bolsas e benefícios e aos concursos como sonho de estabilidade dos jovens brasileiros recém-egressados da universidade.

Outro lugar onde se aprende a ter ilusões é o cárcere. Nele há pouca perspectiva de recuperação daqueles que se condenaram porque não aprendem a devolver à sociedade aquilo que tiraram dela; poderiam obrigar-se a trabalhos comunitários em vez de apinhar-se atrás das grades. A destruição de patrimônio público (a queima de ônibus municipais e a depredação de telefones públicos, caixas eletrônicos e monumentos) através de vandalismo tampouco traz bom augúrio.

Devemos indagar sobre a validez de nossas referências educativas. A forma como nos educamos resulta frequentemente da interação com a tecnologia e com uma realidade que se perfila de outro modo. Para muitos, um computador tem substituído a relação com a escola, a família e a religião. Há o risco, portanto, de que folheemos um tutorial de ilusões que reduza as chances de tornar-nos bons cidadãos.

 

http://www.brunoperon.com.br

 
 

 

 

 
 
Deixe seu comentário!
 
 
 
Banner pedrão 2018
Banner violência se limite
Banner Mirante
Rose Bueno Acessórios
Banner emprego
Banner Einstein
Bassani