Banner Primeiro Conart

 
 
   Categorias
  ATLETISMO
  Banco do Brasil
  Brasil
  Cartas do Leitor
  Educação
  Ego Famosos
  ENTREVISTAS
  Esporte
  Eventos
  Falando Sério
  Familias
  Foz do Iguaçu
  Geral
  Itaipu Binacional
  Lindeiros
  Moda
  Mundo
  Oeste
  Opinião do Leitor
  Policiais
  Politica
  Santa Terezinha de Itaipu
  São Miguel do Iguaçu
  SICOOB
  SINSMI
  Sociais
  Virtudes e valores
 
     
   Colunistas
Bruno Peron
Cultura
Inácio Dantas
João Maria
Miss Paraná
 
   
 
   Previsão
 
 

 
 
 
Envie por email
 
Ansiedade, percepção, dias atuais e tratamento
  Data/Hora: 29.jun.2020 - 14h 42 - Colunista: Cultura  
 
 
clique para ampliar

Por: Fernanda Machado/psicóloga e neuropsicóloga cognitivo comportamental

 

“O que perturba o ser humano não são os fatos, mas a interpretação que ele faz destes”.

Epicteto, século I d.C.

 

“Nossa serenidade não depende das situações, mas de nossa reação diante delas. Portanto, ao intervirmos no aqui e no agora, torna-se possível provocar mudanças em nosso futuro”.

Buda, 563 a.C.

 

Foto: Divulgação/Internet - Anteriormente, nos excertos, temos a representação de ideias que determinam a percepção como criadora de emoções e comportamentos, e não, propriamente, os eventos em si. Para tornar mais claro temos, a seguir, um exemplo atual:

 

Certo dia, Maria e Júlia se deparam com a notícia que deverão permanecer de quarentena por, pelo menos, 30 dias. Ambas possuem seus negócios como meio de sobrevivência, entretanto, não se conhecem. A primeira tem uma cafeteria no centro de São Paulo e a segunda, uma cafeteria no centro de Copacabana.

 

A quarentena é obrigatória e, por isso, ambas não podem abrir os seus estabelecimentos. Com a notícia, Maria sente-se angustiada e passam-se milhares de pensamentos em sua cabeça; alguns deles são: “E agora? Eu não tenho reserva financeira para ficar um mês sem trabalhar...”; “Sem vendas, não terei dinheiro para pagar o aluguel...”; “Como vou pagar os funcionários?...”; “O dinheiro sempre foi tão certinho, mas sem vendas fica insustentável”.

 

Maria passou a ter esses pensamentos de maneira repetitiva, passou a dormir menos horas, a ficar na cama por longos períodos do dia, já que estava se sentindo de mãos atadas e sem as atividades rotineiras que davam sentido à sua vida; além disso, começou a sentir a respiração mais curta de forma frequente. Toda vez que o telefone tocava ela imaginava ser alguma cobrança e o seu coração disparava; com isso, a sensação e a perda de controle passaram a ser uma constante.

 

Júlia, por sua vez, também ficou apreensiva com as notícias, preocupou-se com os funcionários, o aluguel e os filhos que dependiam somente dos recursos dela, e entendeu que seria uma situação difícil, pois não conseguira criar um caixa reserva; no entanto, entendeu que precisava tomar decisões rápidas, pois não sabia por quanto tempo a situação se estenderia.

 

Júlia decide, então, ligar para o proprietário do imóvel (cafeteria) e negociar o valor do aluguel ou o prazo; propôs uma reunião on-line com os funcionários e expôs a situação da empresa, solicitou ideias de como eles poderiam atuar e estratégias para conter os prejuízos. Apesar de os filhos não terem idade para a tomada de decisões importantes, entendeu que precisava conversar com eles e dizer que era necessária uma redução de custos, e, por isso, algumas coisas que eles faziam no mês não poderiam mais ser feitas, até que a cafeteria pudesse ser reaberta e a situação restabelecida. Por fim, Júlia entendeu que não poderia sair de casa e resolveu ocupar melhor o tempo com os filhos, já que, no dia a dia, esse tempo era comprometido. Combinou com os funcionários que trabalhariam em novas receitas para inserir na cafeteria e ter um diferencial quando a quarentena acabasse; dessa forma, apesar das preocupações que ainda eram presentes, ela conseguiu manter a serenidade e estabeleceu novas rotinas que pudessem amenizar todo o desgaste mental e funcional daquele tempo, não só para ela, como para os que faziam parte do seu cotidiano de maneira mais próxima.

 

Como o leitor pôde observar, o evento é, em si, o mesmo para as duas mulheres, entretanto, a maneira como ambas percebem a situação é diferente, gerando, em uma delas, um acréscimo de ansiedade, que, por sua vez, bloqueou a sua capacidade de raciocínio e as ações mais efetivas; e, na outra, a manutenção da capacidade de pensamento lógico, que a levou a tomar decisões importantes e a se manter funcional.

 

Essa história nos mostra como a percepção de cada indivíduo pode ser diferente, a partir de suas crenças, seus valores e suas experiências; desta forma, a interpretação que damos a um fato influenciará na forma como sentimos e como agimos, o que, por sua vez, gerará consequências positivas ou negativas.

 

Um dos papéis da Terapia Cognitivo Comportamental, que é uma abordagem da psicologia e trata ansiedade e outros transtornos psicológicos,  é trazer ao indivíduo novas maneiras de perceber os eventos cotidianos e auxiliá-lo na descoberta dos recursos que estão disponíveis para a tomada de decisões, que tragam resultados, geralmente, mais funcionais.

 

Nos estados ansiosos, por exemplo, as percepções podem sofrer distorções, o que pode levar a riscos superestimados, tanto internos quanto externos, e a uma versão subestimada dos próprios recursos e de seu ambiente para lidar com estes riscos, como aconteceu com Maria. Desta maneira, a Terapia Cognitivo Comportamental dispõe de técnicas que atuarão, diretamente, nos pensamentos e nas crenças que, ao longo da vida, foram se desenvolvendo. O cérebro da pessoa submetida às técnicas desta terapia sofrem alterações que possibilitam maior ativação pré-frontal, onde se localiza a capacidade de raciocínio e a tomada de decisão, a partir da melhor avaliação de prioridades e da menor ativação do complexo amigdaloide (um dos complexos envolvidos no transtorno de ansiedade), que, em excesso de ativação, provoca a respiração ofegante e o aumento no batimento cardíaco, por exemplo. Portanto, o tratamento é de fundamental importância e o quanto antes melhor, pois a ansiedade pode se tornar crônica e os sintomas cada dia mais frequentes e intensos.

 

 

Fernanda Machado

Psicóloga e neuropsicóloga cognitivo comportamental

www.fernandamachado.psc.br

contato@fernandamachado.psc.br

 
 

 

 

 
 
Deixe seu comentário!
 
 
 
Banner laranja
Banner Lei Lucas
Banner violência se limite
Banner conar
Calendário eleitoral
Banner Einstein
Banner Notre Dame
Bassani
Banner emprego
Banner Mirante