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Pesquisas e conclusões duvidosas
  Data/Hora: 24.jan.2021 - 4h 52 - Colunista: Cultura  
 
 
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Por Rositas Fonteles, 

  

As publicações acadêmicas do Brasil precisam urgentemente de revisão e mais cuidado por parte dos profissionais da comunidade científica quanto a produção e revisão dos artigos publicados.  

  

Observe o número de trabalhos com conclusões precipitadas e duvidosas que continua aumentando, como uma a bola de neve, uns fazendo referência a outros, gerados no meio acadêmico. Quando se faz referência a um artigo para fundamentar uma teoria, esse artigo deve mostrar como a teoria foi comprovada, mas isso não acontece em alguns trabalhos.   

  

Portanto sugiro que as revistas científicas façam uma revisão dos artigos referentes as publicações sobre o Zika vírus em relação ao surto de microcefalia de 2015 e mais cuidado com o que estão publicando sobre a pandemia. Considerando as fake news e as fontes de pesquisas que estão usando na elaboração de artigos científicos.  

  

As pesquisas deveriam passar por uma avaliação de um ou mais especialistas do mesmo escalão que o autor e desconfio que isso não vem acontecendo. O que pode estar colaborando para essa produção de trabalhos falhos e duvidosos. Nesse contexto questiono também os critérios seguidos hoje para a concessão de recursos para pesquisas, em que estão pautados e quais os retornos desses investimentos.  

 

Da verba que o senado liberou em julho de 2016 para o combate ao aedes e ao vírus Zika, 50 milhões eram para o financiamento de pesquisas sobre o vírus da Zika. Veja em:http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/07/senado-libera-r-420-milhoes-para-combate-ao-aedes-e-ao-virus-da-zika.html. Pelo que entendi o ministro de Ciência e tecnologia, Celso Pansera, junto com as ações praticadas pela presidente Dilma pretendiam colocar o Brasil no patamar de pesquisa de ponta no mundo todo. Veja em: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2016/03/governo-anuncia-mais-de-r-1-bilhao-para-pesquisas-sobre-o-virus-da-zika.html. O que foi feito para que esse objetivo fosse alcançado?  Qual o resultado desses investimentos em pesquisas do vírus Zika?   

 

Ouvi uma doutora dizer que quando existem vários artigos científicos mostrando o mesmo resultado é porque isso é fato, uma realidade indiscutível. Será que é verdade? Procure no google acadêmico artigos científicos sobre o surto de microcefalia de 2015 e encontrará uma infinidade de trabalho, muitos pautados na informação de que o surto de microcefalia das crianças do Brasil de 2015 está relacionado ao Zika vírus. Agora analise os trabalhos e busque a origem das informações.  

  

Observe, por exemplo, o artigo "Prolonged Shedding of Zika Virus Associated With Congenital Infection"; 2016. (Veja em:https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc1607583) . "Eliminação prolongada do vírus Zika associada à infecção Congênita". Informa que "A presença de infecção pelo vírus Zika foi associada á microcefalia em vários estudos"(indica nas referências os 3 artigos que teoricamente fundamentam essa declaração). Pois vejamos agora os fundamentos de como a infecção foi associada ao vírus Zika nos 3 artigos referenciados:  

  

1) Zika virus Associated with microcephaly, 2016, (Zika vírus associado á microcefalia) (https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1600651). Um artigo que descreve "o caso de uma gestante que apresentou quadro febril com erupção cutânea no final do primeiro trimestre de gravidez, enquanto morava no Brasil. A Ultrasonografia realizada com 29 semanas de gestação revelou microcefalia com calcificação no cérebro fetal e na placenta". "O Zika foi encontrado no tecido cerebral fetal". Isso prova que a mãe teve zika, mas não que o Zika tenha causado a microcefalia. Pergunto: A mãe foi vacina? Quando? A hipótese que tenha sido a vacina incluída no calendário de vacinação das gestantes meses antes, nem aparece.   

2) Art. Zika virus infection and stillbirths: a case of hydrops fetalis, hydranencephaly and fetal demise; 2016. (https://journals.plos.org/plosntds/article?id=10.1371/journal.pntd.0004517&xid=17259,1500004,15700002,15700021,15700124,15700186,15700190,15700201,15700237,15700242,15700248)."Infecção pelo vírus Zika e natimortos: um caso de hidropisia fetal, hidranencefalia e morte fetal". A pesquisa relata "o caso de uma mulher grávida de 20 anos de idade" em Salvador, Brasil. Com 32 semanas foi realizado um parto induzido, depois dos exames constatarem microcefalia acentuada no feto." Conclusão do trabalho: "Esse relato de caso fornece evidências de que além da microcefalia, pode haver uma ligação entre a infecção pelo vírus Zika e a hidropia fetal e a morte fetal.". Novamente, a evidência é que a gestante teve zika e não que a microcefalia tenha sido causada pelo vírus. Não seria uma conclusão precipitada e duvidosa da pesquisa? Verificaram a vacinação da gestante?  

3) Art. "Evidence of Zika virus infection in brain and placental tissues from two congenitally infected newborns and two fetal losses", 2015. (Evidência de infecção pelo vírus Zika em tecidos cerebrais e placentários de dois recém-nascidos com infecção congênita e duas perdas fetais). Essa pesquisa relata que "Todas as quatro mães apresentaram sinais clínicos de infecção pelo vírus zika....Esse relatório descreve a evidência de uma ligação entre a infecção pelo vírus Zika e microcefalia e morte fetal por meio da detecção de RNA viral e antígenos em tecidos placentários de abortos espontâneos precoces.". Novamente a vacinação da gestante nem foi considerada.  

              

            Pergunto: E as gestantes que não apresentaram o vírus Zika no tecido placentários dos fetos e que tiveram seus filhos com microcefalia em 2015? Porque não pegaram um caso desse para estudo? São estudos de casos que definem uma teoría?  As mães que participaram dessas pesquisas tomaram a vacina incluída no calendário de vacinação das gestantes em 2014? Porque ninguém faz referência a vacinação? Uma pesquisa não pode ser conduzida para atender as necessidades ou interesses dos pesquisadores e sim para se conhecer uma realidade, saber o que de fato ocorreu.  

  

Se trata de um vírus que passou por mais de 26 países e não causou microcefalia em nenhum, só no Brasil. Sem falar que o surto de microcefalia acabou sem precisar de vacina, apesar dos recursos destinados ao desenvolvimento delas. Quem causou o problema da microcefalia das crianças em 2015 foi o homem ou o mosquito? Estão querendo destruir a ciência para que o povo aceite mais vacinas?  

   

Suspeito que outra avalanche de artigos falhos está se formando agora com as falsas informações sobre a covid-19. Vamos pesquisar? Conferindo números e fontes, indo na origem da informação? Procure a verdade e divulgue sua pesquisa, a ciência agradece.  

 

 

Rosita Capelo Fonteles 

 
 

 

 

 
 
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