“Nossa luta não é só por salário, mas também, por uma escola com infra-estrutura adequada, com programas que atendem as necessidades dos nossos estudantes... Desejamos um currículo que forme cidadãos conscientes, com autonomia intelectual, preparados para o convívio social, para o mundo do trabalho, mais solidários e fraternos”
A greve dos Trabalhadores em Educação do Paraná, que iniciou ontem, 23, em todo o Estado – em São Miguel do Iguaçu, segundo as lideranças do movimento conta com o apoio de mais de 90% da classe. “Essa greve é por tempo indeterminado”, nos disse o professor Emerson Adriano, uma das lideranças do movimento em São Miguel do Iguaçu.
“Esperamos contar com a compreensão da comunidade, pois o que estamos reivindicando é justamente melhores condições de trabalho – o que resultará em rendimento educacional para os próprios alunos” entende Adriano.
“Esta marcada para hoje, logo mais às 16h00, uma reunião entre a Diretoria da APP – Sindicato e o Governador do Estado – e a nossa esperança é que o governador tenha tido uma ótima noite de sono e consiga entender que as nossas reivindicações são mais do que justas, pois estamos lutando por uma melhor educação – e a nossa intenção é voltarmos à normalidade o mais rápido possível”, explica.
“Solicitamos a compreensão dos pais para que não mandem os seus filhos para as escolas durante esse período de greve – todas as aulas perdidas serão recuperadas posteriormente”, complementa.
Em nota distribuída a comunidade, a APP Sindicato explica que são várias as razões para essa paralisação, entre elas, a luta por salários justos para os professores e funcionários de escola. Para o magistério, queremos que o Estado aplique, e pague, no mínimo, a correção definida pelo MEC, para 2014, do Piso Nacional: 8,32%. “Essa correção deveria ser efetuada em janeiro, mas, até o momento, isto não foi feito”, lembra.

Adriano lembra ainda que a classe luta pela implementação de 33% de hora-atividade que é um direito assegurado por leis, tanto nacional, quanto estadual. Estas legislações determinam que 1/3 da jornada do magistério – ou seja, 33,3% da carga horária na escola – sejam utilizadas como hora-atividade.
“Para aqueles que ainda não conhecem, à hora atividade é um período de trabalho que os professores tem para corrigir provas, elaborar aulas, realizar estudos e pesquisas para tornar o período em sala cada vez mais dinâmico e produtivo”.
DIVIDA COM A EDUCAÇÃO
Segundo a nota da APP, o Governo do estado deve em direitos salariais aos professores e funcionários (atrasados há mais de 2 anos, relativos a cursos de aperfeiçoamento realizados por esses trabalhadores) mais de R$ 130 milhões.
“Queremos, também, que o governo suspenda uma tremenda injustiça praticada contra os educadores. “Nos últimos meses, o professor ou funcionário que precisou se afastar do trabalho por estar doente teve parte dos seus vencimentos cortados. Uma prática cruel contra os mais necessitados”.
“Nossa luta não é só por salário, mas também, por uma escola com infra-estrutura adequada, com programas que atendem as necessidades dos nossos estudantes. Queremos que a merenda não atrase e seja de qualidade. Queremos escolas seguras, nas quais nossas crianças e jovens possam aprender sem medo. Desejamos um currículo que forme cidadãos conscientes, com autonomia intelectual, preparados para o convívio social, para o mundo do trabalho, mais solidários e fraternos”