Revista Fórum – por Marcelo Hailer,
O pastor Luiz Fernando de Souza se desligou da Igreja da Lagoinha e tornou a sua decisão pública durante um culto. Vinculado à seção de São Leopoldo (RS), o religioso criticou a postura da direção da instituição e detonou pastores líderes que recebem salários de R$ 1 milhão.
“Não faz sentido pra mim ouvir de um pastor líder da Global que um pastor vocacionado deva dar dois passos atrás e procurar um emprego secular para sustentar sua família, mas sem deixar de cumprir as exigências financeiras da Lagoinha Global, enquanto, até pouco tempo, um pastor conhecido recebia cerca de R$ 1 milhão de salário por mês.”
Em outro momento de sua fala, o pastor criticou a maneira como pastores da Lagoinha são punidos quando não alcançam a meta exigida pela direção da instituição religiosa:
“Não faz sentido que um pastor, por qualquer razão, não conseguiu, não estou falando que não quer, não conseguiu enviar o repasse de 10% para a Global e 5% para a regional, seja advertido e ou excluído da igreja. Embora eu reconheça ser justo o repasse desses percentuais, o que não cabe é a aplicação de medidas desproporcionais em casos de impossibilidade. O que não cabe é um pastor local ter que escolher cumprir as exigências ou comprar comida, remédio para sua família ou famílias da igreja.”
Em seguida, Luiz Fernando de Souza afirmou que muitas coisas que ocorreram na Lagoinha nos últimos meses fizeram com que a instituição perdesse sentido para ele e, diante de tal quadro, o religioso afirmou que não poderia continuar na igreja, pois, caso contrário, estaria “prostituindo” a sua fé:
“Muitas coisas deixaram de fazer sentido nos últimos meses e, se não faz mais sentido, não posso prostituir minhas convicções pessoais e, sobretudo, a minha convicção de fé e práticas do cristianismo por uma marca, por um status, pelo hype da internet, por uma estrutura ou por imposições que ferem quase tudo o que penso sobre fazer igreja.”
Ao término de seu discurso, o religioso afirmou que deixou a Lagoinha, pois ela perdeu sentido, e que era hora de deixá-la para trás:
“Ponderei e analisei as entrelinhas das falas dos pastores que falaram no encontro em Belo Horizonte. Busquei orientação de gente experiente, inclusive na Lagoinha. Conversei com o conselho local e até orei para chegar à conclusão de que era hora de mudar o rumo. Tem momentos na vida em que continuar no mesmo caminho não é força nem virtude, mas medo disfarçado. Mudar o rumo exige coragem. Coragem de admitir que algo já não faz mais sentido. Mudar o rumo exige coragem de recomeçar mesmo sem garantias. Coragem de deixar para trás aquilo que já foi muito importante, mas que agora não sustenta mais.”
Sem citar nomes, é possível entender que o pastor Luiz Fernando de Souza se refere ao recente escândalo envolvendo o pastor Fabiano Zettel, que era responsável pela Lagoinha de Belvedere, em Belo Horizonte (MG), e que foi preso junto com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e de quem Zettel era cunhado.
O pastor Fabiano Zettel é apontado pela investigação da Polícia Federal (PF) como braço direito de seu cunhado e operador de seu esquema, que resultou no maior escândalo bancário da história do Brasil. Além disso, Zettel foi o maior doador individual das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na eleição de 2022, doando R$ 3 milhões e R$ 2 milhões, respectivamente.
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