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  Editorial | Onde mora a elegância  
  Publicado em 11 de Abril de 2026  
 
   
 
 
 
Editorial | Onde mora a elegância

Por Luciana Carreira,

 

Foto ilustrativa: Divulgação/Internet - Há um equívoco silencioso que atravessa vitrines, passarelas e espelhos: o de que a elegância pode ser vestida de fora para dentro. Como se bastasse seguir, ajustar, reproduzir. Como se o estilo fosse um eco — e não uma voz.

 

Mas a mulher contemporânea já não se reconhece nesse reflexo emprestado.

 

A moda, hoje, caminha em outra direção. Menos sobre obedecer às tendências, mais sobre revelar identidades. Menos sobre excesso, mais sobre essência. Em um tempo em que o vestir se torna extensão do pensamento, elegância passa a ser aquilo que não se explica — apenas se percebe.

 

Há algo profundamente sofisticado na mulher que escolhe a si mesma.

 

Ela não se apressa em caber. Não pede licença ao olhar alheio para existir. Seu estilo não nasce da aprovação — nasce da consciência. É no gesto discreto, na escolha precisa, na recusa silenciosa ao óbvio que ela constrói presença. E presença, afinal, é a forma mais alta de elegância.

 

O que se vê nas ruas e nas coleções — daqui e de fora — apenas confirma esse movimento: tecidos que respeitam o corpo, cortes que acompanham o ritmo real da vida, peças que não impõem personagens, mas acolhem histórias. A moda deixa de ser imposição e passa a ser linguagem.

 

E talvez seja esse o ponto mais delicado — e mais poderoso.

 

A mulher elegante não veste para ser vista. Veste para se reconhecer.

 

Ela compreende que estilo não é sobre ter mais, mas sobre ser mais inteira. Que bom gosto não se aprende apenas observando, mas sobretudo escutando — o seu íntimo. E que nenhuma tendência, por mais sofisticada, substitui a clareza de quem sabe quem é.

 

Nesta coluna, abrimos espaço para essa escuta.

 

Nas próximas edições, vamos atravessar as estações — nacionais e internacionais — não como quem segue mapas prontos, mas como quem interpreta sinais. Tendências existirão, como sempre existiram. Mas aqui, elas serão ponto de partida, nunca de imposição.

 

Porque, no fim, a moda mais atual ainda é — e talvez sempre será — a coragem silenciosa da autenticidade.

 

Luciana Carrera é autora do livro A PONTE INVISÍVEL - O próximo passo é onde o silêncio respira

 
 

 

 

 
 
     
 

 
 
     
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