“Vim pela cultura”, diz Adela, de 82 anos, “mas encontrei algo mais urgente: pertencimento. Porque agora eu sei que, enquanto houver quinta-feira, haverá um motivo para acordar com entusiasmo."
Atualmente, o Celeopa – em homenagem a Túlio Vargas – escritor que incentivou a criação de Instituições Literárias, está realizando o seu 1º CONCURSO LITERÁRIO – ÂMBITO NACIONAL. O escritor e fundador desta Instituição, José Garcia, sobre a importância deste concurso, nos lembra que: “além de influenciar a cultura, servem como ferramenta para a reflexão, promovendo a empatia e o pensamento crítico, consequentemente a transformação social”.
Como gostaria de ter mais tempo para escrever, sugerir – enfim, interagir com esse grupo maravilhoso que se preocupa em manter a palavra viva e ativa – seja através de um Concurso Literário – ou mesmo com a divulgação de poesias, contos e reflexões que nos conectam no dia a dia com o lado bom da vida. Mas o trabalho como jornalista e a luta diária pela sobrevivência, montado numa redação muitas vezes crítica e realista, onde o ponto de vista – na maioria das vezes bate de frente com o sistema, não é fácil.
Ontem (13), ao dar uma visualizada no grupo me de deparei com “Às Quintas de Bucareste”, postada no Grupo pelo presidente José Garcia, que vem assinada por Rosangela Berneck. Um texto primoroso que transborda alegria, conectividade, bondade e amor, cuja ideia merece e deve ser replicada em todas as partes deste Maravilhoso Planeta Terra.
Confira “As Quintas de Bucareste”
Todas as quintas-feiras, pontualmente às 10h, na sala 3B de um prédio da faculdade no centro de Bucareste (capital da Romênia), um grupo peculiar toma seus lugares: Ninguém tem menos de 70 anos. Alguns chegam com bengalas, outros de bicicleta. Uma mulher traz bolos caseiros. Outra distribui citações de autores gregos. Todos sorriem como crianças em sua primeira excursão escolar.
Se auto denominam a " Universidade das Quintas-feiras”, embora não haja mensalidades nem provas. Apenas o desejo de aprender.
Tudo começou com Mihnea Dragomir, um ex-professor de literatura romena que, após se aposentar, sentiu algo dentro de si se apagando. “Eu tinha livros, eu tinha tempo…, mas me faltava o brilho nos olhos para compartilhar minha história.”
Então, ele pediu permissão para usar uma sala de aula vazia uma vez por semana.
Ele colocou um anúncio na padaria do bairro:
“Aulas para pessoas com mais de 65 anos. Grátis. Sem dever de casa. Só curiosidade.” Na primeira vez, apareceram três pessoas. Na segunda, sete. Na terceira, vinte.
Agora, toda quinta-feira, mais de quarenta idosos e curiosos se reúnem para conversar sobre tudo: história, poesia, cinema, tecnologia, neurociência, arte africana, evolução, inteligência emocional.
Cada aula começa com uma rodada de perguntas:—O que você aprendeu esta semana fora da escola?
E as respostas são surpreendentes:
—Aprendi a fazer videochamadas com minha neta em Berlim.
—Descobri que as baleias cantam em diferentes dialetos.
—Assisti a um filme coreano sem entender uma palavra… mas chorei mesmo assim.
Mihnea não cobra. Ele não faz chamada. Ele simplesmente oferece um quadro branco, uma história e uma xícara de chá ao final de cada sessão. Mas o que acontece naquela sala de aula vai muito além do conhecimento.
“Vim pela cultura”, diz Adela, de 82 anos, “mas encontrei algo mais urgente: pertencimento.”
Muitos deles moravam sozinhos. Alguns haviam parado de sair. Um deles até confessou que não conversava com ninguém por mais de cinco minutos há anos.
Agora, eles trocam mensagens. Emprestam livros. Comemoram aniversários. E se alguém falta na quinta-feira, o telefone toca:
“Você está bem? Precisa de alguma coisa?”
A Universidade das Quintas-feiras não concede diplomas, mas oferece algo mais valioso: significado.
Em uma sociedade que empurra os idosos para o esquecimento, esse grupo demonstra que a sede de conhecimento não envelhece. Ela apenas se transforma.
Há alguns meses, eles foram convidados para uma conferência universitária sobre inovação educacional.
A plateia silenciou ao ver aquele grupo de pessoas de cabelos grisalhos, com andadores e risos contidos, entrar. Um dos estudantes perguntou:
“E que tipo de inovação vocês trazem?”
O mais velho, Pavel, de 90 anos, respondeu:
"Inovamos não desistindo. Continuando a fazer perguntas. Não é isso que um bom cientista faz?"
A plateia o aplaudiu de pé.
Hoje, vários jovens se juntaram à plateia como ouvintes. Alguns dizem que entendem melhor seus avós. Outros dizem que finalmente aprenderam a ouvir sem pressa. E Mihnea, o professor que não queria parar de lecionar, diz que não tem mais medo de envelhecer. "Porque agora eu sei que, enquanto houver quinta-feira, haverá um motivo para acordar com entusiasmo."
Belo exemplo de vida, de resiliência. Uma prova de que, se quisermos, nunca seremos velhos, tristes e sem esperanças, apenas esperando seu tempo chegar ao fim!!!
Podemos tudo, até o fim!!!
Rosangela Berneck