Fonte: Revista Fórum – por Diego Feijó de Abreu,
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a atacar professores nesta terça-feira (9), durante audiência pública da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em Brasília. Ao defender a regulamentação da educação domiciliar, o homeschooling, o parlamentar chamou educadores de “desconhecido” e cravou que a proposta será aprovada por maioria no Congresso.
O bolsonarista utilizou a defesa da autoridade dos pais sobre os filhos como trampolim para colocar em dúvida a segurança do ambiente escolar e o papel dos profissionais da educação na formação de crianças e adolescentes.
“Quem melhor pra conhecer o seu filho e educar o seu filho do que o pai e a mãe? Quem sabe dar aquilo que ele precisa? É um outro desconhecido? Você entrega o seu filho na mão de um desconhecido! Essa é a melhor forma?!”, disparou Nikolas Ferreira.
https://x.com/roberta_bastoss/status/2064505689557311811
Pressão sobre o Senado e “pauta imparável”
Após fustigar a categoria dos professores, Nikolas Ferreira passou a tratar da articulação política do projeto, que já foi aprovado na Câmara e agora tramita no Senado. Ele mirou a relatora da proposta, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), indicando que fará pressão sobre o texto.
“Vou até pedir o telefone aqui do meu assessor da senadora Dorinha, que ela é relatora desse projeto, pra gente ir atrás dela, do relatório, ver se alguém assinou”, afirmou o deputado.
Na sequência, o parlamentar mandou um recado direto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), demonstrando certeza de que a pauta avançará assim que for colocada em votação no plenário.
“Eu não tenho dúvida que quando o Davi Alcolumbre falar sobre todas essas coisas no Congresso, o homeschooling vai ser aprovado por maioria de votos! É isso que vai acontecer. Vai ser aprovado, vai ser aprovado, vai ser aprovado. O homeschooling é imparável!”, declarou, em tom de palanque.
Comissão como vitrine ideológica
A audiência pública foi convocada a pedido do próprio Nikolas Ferreira. O objetivo oficial era discutir a regulamentação nacional do ensino em casa, com base em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou a prática constitucional desde que regida por lei federal, e garantir “segurança jurídica” aos pais adeptos do modelo.
Na prática, o evento reafirma a tática da extrema direita de usar o colegiado para alimentar sua guerra cultural. A Revista Fórum já havia mostrado como Nikolas, em sua passagem pela presidência da comissão, tentou transformar o espaço em vitrine política para atacar o governo Lula durante a greve nas universidades federais.
A pauta é uma das maiores bandeiras do bolsonarismo no Congresso. Enquanto defensores alegam que o homeschooling garante a liberdade das famílias contra uma suposta “doutrinação”, especialistas e entidades ligadas à educação alertam para o risco de enfraquecimento do ensino público, apagão na socialização das crianças e o perigo de camuflar casos de violência doméstica e abandono intelectual.
O alvo é a escola
A escolha da palavra “desconhecido” para classificar o professor não é acidental. O discurso de Nikolas Ferreira desloca o debate técnico sobre regulamentação para um ataque moral direto aos educadores, sugerindo que profissionais com formação pedagógica são intrusos na criação dos alunos.
A retórica bolsonarista ignora que, pela Constituição Federal, a educação é um dever compartilhado entre o Estado e a família, com a colaboração da sociedade. A escola não atua como substituta dos pais, mas cumpre uma função social, pedagógica e protetiva que transcende o simples repasse de conteúdo no ambiente doméstico.