Que nunca falte liberdade, ética e respeito à verdade no exercício dessa nobre missão – o jornalismo.
A convite, depois de muito tempo, voltei ao Legislativo Municipal de São Miguel do Iguaçu, no último dia 22, ao lado de diversos profissionais de emissoras de rádio, jornais, portais de notícias membros que se destacam na comunidade para receber uma homenagem.
A iniciativa partiu do vereador Wando da Garagem, que idealizou a moção para destacar o trabalho diário dos comunicadores. No seu pronunciamento, Wando, autor desta honraria, “ressaltou o empenho do Poder Legislativo em organizar uma celebração à altura do que representa a imprensa”, lembrando o valor deste compromisso institucional com as distinções concedidas pela Casa. "Esta Casa de Leis fez o possível para que ficasse uma homenagem muito bonita, foi de coração”, agradecendo todos os demais edis que foram solidários com este reconhecimento.
Quem conhece o nosso trabalho sabe que por vários anos (administração anterior), praticamente em todas as sessões, ali estavamos exercendo com independência o jornalismo ético, fiscalizando, denunciando e combatendo os desvios de conduta da maioria dos representantes do povo que, naquela época tinham o nocivo hábito de confundir o público com o privado, nesta mesma Casa de Leis.

Porque lembro isso, justamente numa “Sessão Especial” como essa, cujo objetivo é homenagear os profissionais da Comunicação?
Confesso que não sei. O que sei é que, aquando adentrei ontem (22), a primeira pessoa que encontrei na porta de entrada foi José Albertino da Silva, que também ali estava para receber essa mesma distinção. Ao cumprimenta-lo, ao lado do seu assessor, foi logo dizendo: “Prazer imenso em revê-lo. Nunca esqueço que você foi quem prefácio o meu livro - “O dinheiro não compra a felicidade” – e já naquela época, o fez com maestria.”
Depois da troca de gentileza, o convidei para entrarmos e acompanhar a sessão que já se desenrolava com discussões e aprovações dos atos do Legislativo e do Executivo. Nos aconchegamos no plenário ao lado de outros amigos. Sentado ao meu lado, logo que foi entregue a primeira homenagem - José Albertino, disparou: “Se existe alguém aqui que merece essa homenagem é você”.
Quando o responsável pelo cerimonial me convidou para receber a homenagem – ao me levantar – me veio à mente como uma espécie de sussurro inspirador, o poema – Deus – do escritor e poeta Casimiro de Abreu:
Eu me lembro! Eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno
E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
“Que pode haver maior que o oceano,
“Ou que seja mais forte do que o vento?!”
Minha mãe a sorrir olhou pro céu
E respondeu: – Um Ser que nós não vemos
“É maior do que o mar que nós tememos,
“Mais forte que o tufão! Meu filho, é – Deus!”
Por que lembro isso? Talvez, seja uma forma de agradecimento ao Legislativo, por realizar uma sessão solene como essa, dedicada à valorização dos profissionais da imprensa, da importância da liberdade de expressão com responsabilidade, da importância de um jornalismo ético e independente para o fortalecimento da democracia, do debate público e no amplo acesso à informação.
O fato é que, está de parabéns o nobre vereador por essa iniciativa. Confesso que, se tivesse a oportunidade de fazer uso da palavra nessa sessão, além de agradecer e enaltecer, pediria um minuto de silêncio em memória aos mais de 300 jornalistas que foram assassinatos no último ano ao redor do mundo – mais de 250 na Faixa de Gaza – cobrindo um dos maiores genocídios – televisionado e mostrado ao vivo e a cores a luz do dia.
Pela importância de um trabalho livre e democrático, deixo como sugestão, quem sabe, numa próxima oportunidade se faça algo parecido no dia 7 de abril, Dia do Jornalista, instituído oficialmente em 1931 pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). A escolha da data é uma homenagem ao médico e jornalista Giovanni Battista Líbero Badaró, conhecido como Líbero Badaró.
“Badaró foi assassinado em 1830, após defender publicamente ideias liberais e criticar o governo imperial da época. Sua morte provocou grande repercussão política e social, tornando-se um símbolo da luta pela liberdade de imprensa e pela liberdade de expressão no Brasil.”
Desde então, o Dia do Jornalista passou a representar o reconhecimento do trabalho de profissionais que investigam, verificam fatos e divulgam informações com responsabilidade, contribuindo para o debate público e para o fortalecimento da democracia.
É importante que se diga que, ao ter protegido por Lei, o sigilo da fonte, o que escrevemos possui “fé pública” – o que aumenta a nossa responsabilidade como jornalista. Falando em fé pública, tenho defendido que esse direito seja concedido ao Professor (a), que na minha opinião é o Pai e a Mãe de todas as profissões.
Fatos recentes, como o escândalo do Banco Master, por exemplo, que revelou um dos maiores crimes do colarinho branco em nosso país, só foi possível devido ao trabalho jornalístico que investigou e denunciou (Intercepte Brasil), – o que demonstra o quanto precisamos valorizar uma imprensa profissional, independente e comprometida com os fatos, com a verdade.
Não vamos longe e nem podemos esquecer o que aconteceu com a nossa cidade – não faz muito tempo. Aliás, dessa época sombria, eu não me esqueço do que escrevia, quase todos os dias – as vezes relatando e escancarando a verdade nua e crua – outras vezes em forma de ficção.
Em uma dessas histórias, eu dei o nome de Ratolândia e advertia que era ficção e qualquer semelhança com os acontecimentos da época, era mera coincidência. O que estamos querendo lembrar aqui, “a essência dessa missão permanece inalterada. A imprensa fiscaliza o poder, revela injustiças, denuncia irregularidades, amplia o debate público e garante ao cidadão o direito de conhecer a realidade dos fatos.”
Sempre é bom lembrar o que afirmava o físico e matemático Albert Einstein, que revolucionou o mundo com as suas teorias: “O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer”.