Da Assessoria - O Governo Municipal de São Miguel do Iguaçu, por meio do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), vinculado à Secretaria de Assistência Social, realizou entre os dias 20 e 24 de julho a oficina RAP na Medida, integrante do projeto “O Corre é Arte: Expressões Além da Medida”.
Embora tenha como público prioritário adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, as atividades foram ampliadas para contemplar também outros jovens atendidos pela rede socioassistencial do município, promovendo espaços de convivência, integração e fortalecimento de vínculos.
A atividade reuniu 22 adolescentes, que participaram de atividades de composição, improvisação e produção audiovisual. Ao longo da oficina, os participantes escreveram suas próprias composições, realizaram a gravação de uma música em um estúdio montado no CREAS e produziram um videoclipe, transformando essas experiências vividas durante a semana em uma produção artística coletiva. Os materiais estarão disponíveis no perfil do Instagram “RAP na Medida”, a partir da segunda quinzena de agosto.

O RAP na Medida utiliza a música e a cultura hip-hop como ferramentas de expressão, diálogo e reflexão, oportunizando aos participantes a construção de letras que retratam suas vivências, sonhos, desafios e perspectivas. A atividade estimula a criatividade, a comunicação, o respeito às diferenças, o protagonismo juvenil e o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, contribuindo para a construção de novos projetos de vida.
A coordenadora do CREAS, Gabriela David Palmonari, explicou que, mais do que uma atividade artística, o RAP na Medida representa uma estratégia socioeducativa que fortalece a cidadania, amplia o acesso à cultura e incentiva a participação ativa dos adolescentes em espaços de aprendizado e convivência. “A iniciativa reafirma o compromisso da Secretaria Municipal de Assistência Social, por meio do CREAS, com a promoção de ações que garantam direitos, fortaleçam vínculos e ofereçam oportunidades de desenvolvimento por meio da arte e da cultura”, destacou.
O professor e rapper Renan Inquérito destacou que, além do impacto educacional e social, o RAP também proporciona importantes benefícios psicológicos. “Em uma fase marcada por conflitos internos e pela busca por pertencimento, o ato de escrever funciona como um canal terapêutico de desabafo emocional. As dinâmicas de improviso (freestyle), por sua vez, ajudam a vencer a timidez, desenvolvem o raciocínio rápido e aprimoram a oratória”, afirmou.
A psicóloga do CREAS, Elaine Cristina Cherubim do Carmo Moreto, avaliou que o projeto superou as expectativas. “Foi um investimento que valeu muito a pena, não apenas pelo produto final, mas principalmente por todo o processo vivido pelos adolescentes. Ver o envolvimento deles, a alegria durante as atividades e o orgulho com o resultado final foi emocionante e reforçou o quanto iniciativas como essas têm potencial para promover expressão, pertencimento e fortalecer vínculos”, completou.
A cultura hip-hop vai muito além do entretenimento e se torna uma importante ferramenta pedagógica, de inclusão social e de promoção da saúde mental. Para muitos jovens participantes, o microfone se torna um dos primeiros espaços de escuta, expressão e pertencimento que encontram na sociedade.
O adolescente Pedro Enrique Dias dos Santos Millitis contou que a experiência foi marcante. “Já conhecia as batalhas de rima e o rap em geral, mas nunca havia participado nem gravado uma música em estúdio como essa. Foi muito bom”, relatou.
A assistente social do CREAS, Sônia dos Santos, explicou que conheceu o projeto RAP na Medida em 2022, quando a equipe técnica do CREAS de São Miguel do Iguaçu foi convidada pelo CREAS II de Foz do Iguaçu para participar da iniciativa. “Na ocasião, quatro adolescentes de São Miguel do Iguaçu em cumprimento de medida socioeducativa participaram do projeto, que resultou na produção do videoclipe “Minha História””, recordou.
Sônia ressaltou que, neste ano, foi possível trazer a iniciativa para o município e ampliar seu alcance. “Tivemos a oportunidade de realizar o projeto no CREAS de São Miguel do Iguaçu, ampliando a participação para adolescentes acompanhados pela rede de proteção do município. É um projeto incrível”, concluiu.