Por Julio Benchimol Pinto, via redes sociais
André Mendonça conseguiu uma façanha institucional rara: unir os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal em defesa da autonomia da corporação.
Todos assinaram uma nota de apoio à direção de Andrei Rodrigues. O texto, diplomático como convém a servidores que sabem onde pisam, não cita Mendonça. Nem precisava. Até o cafezinho do prédio sabe de quem estavam falando.
A crise começou quando o ministro, relator das investigações do INSS, passou a exigir acesso imediato ao material produzido pela PF e controle prévio sobre alterações na equipe. A cúpula policial enxergou interferência suficiente para recorrer à AGU contra determinações de um ministro do próprio STF.
Isso é enorme. E torna ainda mais saboroso o espetáculo político ao redor.
Durante anos, parte da direita brasileira ensinou ao país que ministro do Supremo não podia virar investigador, gerente de inquérito, chefe de polícia ou delegado honorário. Bastou o ministro trocar de sobrenome para surgirem doutores em elasticidade constitucional explicando que talvez possa, depende, veja bem…
A questão agora saiu da arquibancada ideológica. A própria Polícia Federal colocou a autonomia investigativa sobre a mesa.
Mendonça pode ter razões para cobrar rigor numa investigação delicadíssima. Mas juiz supervisiona legalidade; quando começa a decidir quem investiga, como investiga e quando entrega cada peça, a fronteira institucional fica perigosamente fina.
E, antes que alguém apareça ofegante: “E O MORAES?", investiguemos e critiquemos Moraes sempre que ultrapassar seus limites.
Só não me peçam para acreditar nessa nova teoria constitucional segundo a qual um abuso deixa de ser abuso quando é praticado pelo ministro da nossa torcida.