Da Assessoria - Estudo acompanhou a rotina da ala de Neurologia de um hospital de Curitiba e identificou ajuda mútua entre trabalhadores diante da sobrecarga
Na ala de Neurologia de um hospital público de Curitiba, profissionais de enfermagem se ajudam para dar conta das demandas em meio à falta de trabalhadores e às dificuldades de comunicação com a equipe médica. Essa dinâmica foi identificada por Emanuelle Vitória Rodrigues de Souza, estudante de Fisioterapia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que acompanhou a rotina de 16 profissionais de enfermagem em 13 visitas realizadas no turno da manhã, entre março e outubro de 2025.
Orientada pela professora Arlete Ana Motter, do Departamento de Prevenção e Reabilitação em Fisioterapia da instituição, o estudo integra o projeto Avaliação do contexto de trabalho e o impacto da organização na saúde dos profissionais de enfermagem de um hospital universitário: uma pesquisa transversal, e será apresentado na 17ª Semana Integrada de Ensino, Pesquisa e Extensão (SIEPE) da UFPR. Alunos do Programa de Pós Graduação em Saúde Coletiva da UFPR também participam desse projeto.
Durante 30 horas de observação em campo, Souza investigou a diferença entre as tarefas previstas e o que os profissionais conseguiam realizar diante das condições de trabalho. Para isso, utilizou a Análise Ergonômica do Trabalho (AET), método que distingue o trabalho prescrito (as tarefas definidas pela instituição) do trabalho real (que envolve adaptações necessárias para lidar com imprevistos e dificuldades cotidianas). “Além de observar as atividades, a orientanda registrou falas espontâneas e realizou entrevistas com os trabalhadores”, explica a orientadora.
Segundo o relatório, o dimensionamento adequado para atender às demandas da unidade era de nove enfermeiros e 27 técnicos de enfermagem. No entanto, apenas 15 técnicos estavam em atividade efetiva no setor. Outros sete estavam afastados e quatro tinham restrições funcionais que limitavam a realização de determinadas tarefas do setor. A unidade contava ainda com três auxiliares de enfermagem, mas nenhum cobria o turno da manhã.
Nesse cenário, em vez de se restringirem aos leitos sob sua responsabilidade, os técnicos se ajudavam durante os banhos e as transferências entre macas e leitos. “De manhã a gente não se prende a qual paciente é de quem”, relatou um dos trabalhadores.
Falhas de comunicação afetam o cuidado
A falta de objetividade na comunicação dos médicos também dificultava o trabalho da enfermagem. A demora na liberação de exames era outro problema. “O médico não desce para liberar o exame, aí o paciente fica horas em jejum”, disse outro profissional.
Nesse contexto, os vínculos de amizade e o apoio emocional entre colegas funcionavam como recursos para enfrentar pressões. Os resultados reforçam, entretanto, que a colaboração entre os trabalhadores é fundamental para manter a assistência, mas não substitui condições adequadas de trabalho.
Quando o atendimento depende de adaptações constantes, ajuda mútua e esforço adicional, o custo recai sobre os próprios trabalhadores. A sobrecarga e a falta de profissionais aumentam o desgaste físico; a distribuição desigual das atividades mais pesadas e a falta de apoio de outros setores geram frustração e conflitos; e toda essa disfuncionalidade leva ao cansaço intenso, ao desânimo e ao desejo de pedir transferência para outras unidades do hospital.
(Continua)
Confira a matéria: https://ciencia.ufpr.br/portal/?p=30090 (copie e cole em caso de falha)
Leia o termo de uso para replicação dos nossos textos e/ou fotos
?? Demande a Sucom UFPR para assessoria de imprensa e comunicação oficiais da instituição pelo nosso site
Conhece o grupo e a comunidade Sala de Imprensa UFPR no Whats, apenas para jornalistas? Acesse aqui