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João Maria
 
   
 
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A Resposta do Jeca Tatu (de 1919 e tão atual)
  Data/Hora: 13.abr.2026 - 13h 59 - Colunista: Cultura  
 
 
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A "Resposta do Jeca Tatu", poema de Catulo da Paixão Cearense, é uma resposta ao discurso de Rui Barbosa, então candidato à presidência do Brasil, em 1919.
 

"Eu sou o Jeca Tatu.

Vancê só sabe de lezes

Que se faz com as duas mão.

Mas porém num sabe as lezes

Da natureza, e que Deus

Fez pra nóis com o coração.

 

Vassuncê é um Senadô,

É um conseiêro, é um dotô,

É mais que um imperadô,

É o mais grande cirdadão

Mas porém eu lhe garanto

Que nada disso seria

Naquelas mata bravia

Das terra do meu sertão.

 

A miséra, sêo doto

Também a gente consola.

O orguio é que mata a gente.

Vancê qué ser Presidente ...

E eu sou quero ser rocêro

E tocadô de viola

 

Vancê tem todo o direito

De ganhá cém mir pru dia

Pra mió podê fala.

Mas porém o que num póde

É a inguinorância insurtá.

A gente, sêo conseiêro

Tá cansada de esperá.

Vancê diz que a gente véve

Com a mão no queixo, assentado

Sem fazê causo das coisa

Que vancê diz no senado.

E vassuncê tem razão.

 

Se nóis tudo é anarfabéto,

Cumé que a gente vai lê

Toda aquela falação ?

Preguiçoso ? madracêro ?

Não sinhô, sêo conseiêro.

É pruquê vancê num sabe

O que seje um boiadêro

Criá cum tanto cuidado

Cum tanto amô e alegria

Umas cabeça de gado

E despois , a impedemia

Carregá tudo com os diabo

Em meno de quatro dia.

 

É pruquê vancê num sabe

O trabaio desgraçado

Qui um homi tem , sêo doto

Pra incoivará um roçado,

E quando o ouro do mio

Vai ficando embonecado

Pra gente entônce coiê...

O mio morre de sede

Pulo sor esturricado

Sequinho cumo vancê.

 

É pruquê vancê num sabe

Quanto é duro um pai sofrê

Vendo seu fio crescendo

Dizendo sempre...papai,

Vem me ensina o A B C.

Pru móde a politicáia

Vancê qué que um homi sáia

Do sertão pra vim votá

Em Juaquim, Pedro ou Francisco

Quando vem a ser tudo iguá.

 

Vancê tem um casarão

Tem um jardim, uma chaca

Tem criado de casaca

E ganha tudos os dia

Quer chova quer faça sor,

Só pra falá...cem mir réis..

Eu trabáio o ano inteiro

Somente quando Deus qué

 

Eu vivo do meu roçado

Me esfarfano cumo um burro

Pra sustentá oito fio,

Minha mãe minha muié.

Eu drumo im riba de um couro

Numa casa de sapé.

 

Vancê tem seu otromóve,

Eu pra vim no povoado

Ando dez légua de pé.

O sór teve tão ardente

Lá pras banda do sertão

Que em mêno de quinze dia

Perdi toda a criação.

 

Na semana retrasada

O vento tanto ventô,

Que a páia que cobre a chóça

Foi pulos mato...avuô.

Minha muié ta morrendo

Só por farta de mézinha...

E pru farta de um dotô.

 

Minha fia que é bonita

Bunita cumo uma frô..

Sêo dotô.. num sabe lê..

E o Juquinha que ainda tá

Cherando memo a cuêro

E já ponteia a viola,

Se entrasse lá pruma escola

Sabia mais que vancê.

 

Preguiçoso ? Madracêro ?

Não sinhô sêo conseiêro..

Vancê diga aos cumpanhêro

Que um cabra, o Zé das caboca

Anda cantando estes versos

Que hoje lá no sertão

Avôa de boca im boca.

 

(canta) Eu prantei a minha roça

o tatu tudo comeu

prante roça quem quizé

que o tatu hoje sou eu..

 

Vassuncê sabe onde tá

O buraco adônde véve

O tatú esfomeado ?

Tá nos palaço da corte,

Dessa porção de ricaço

Que fez aquele palaço

Cum o sangue dos desgraçado.

 

Vancêis tem rio de açude

Tem os dotô da hingena

Que é pra cuidá da saúde...

E nóis, o que é que tem ?

Arresponda ?

No tempo das inleição

Que é o tempo das bandaiêra

Nóis só tem uma cangáia

Pra levá toda a porquêra

Dos dotô puliticáia.

 

Vancê qué ser presidente ?

Apois seja, meu patrão.

A nossa terra, o Brasí

Já tem muita intiligência,

Muito homi de sabença

Que só dá pra espertaião.

Leva o diabo a falação.

 

Pra sarvá o mundo inteiro

Abasta ter coração.

Prôs homi de intiligência

Trago cumigo esta figa

---Esses homi tem cabeça,

mas porém o que é mais grande

do que a cabeça ..é a barriga.

Sêo conseiêro...um consêio.

 

Dêxe toda a birbotéca

Dos livro...e se um dia vancê quizé

Passá uns dia de fome

De fome e tarveis de sede,

E drumí lá numa rêde

Numa casa de sapé,

Vá passá comigo uns tempo

Nos mato do meu sertão,

Que eu hei de lhe abrir as porta

Da choça e do coração.

 

Eu vorto pros matagá,

Mas porém oiça premero:

Vancê pode nos xingá,

Chama nóis de madracêro...

Pru que nóis, sêo conseiêro,

Num qué ser mais bestaião...

Inquanto os homi de riba

Só trata de inleição,

Sêo conseiêro hai de vê

Pitando seu caximbão,

O Jeca tatú se rindo,

Cuspindo, sempre cuspindo,

Com o quêxo em riba da mão.

 

Eu sei que sou um animá

Eu não sei memo o que eu sô

Mas, porém eu lhe garanto

que o que vancê já falô,

e o que ainda tem de falá,

e o que ainda tem de escrevê...

todo..todo..o seu sabê

e toda a sua saranha,

num vale uma palavrinha

daquelas coisa bonita

que Jesuis numa tardinha

disse em riba da montanha".

 
 

 

 

 
 
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