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Papa adverte em viagem à África que futuro da humanidade está tragicamente comprometido
  Data/Hora: 22.abr.2026 - 7h 9 - Categoria: Mundo  
 
 
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Por Joshua McElwee e Robbie Corey-Boulet

 

MALABO, Guinè Equatorial, 21 Abr (Reuters) - O papa Leão 14 advertiu nesta terça-feira que o futuro da humanidade corre o risco de ser "tragicamente comprometido" por causa das guerras em curso e do colapso do direito internacional, em um discurso vigoroso na Guiné Equatorial em sua turnê por quatro países da África.

 

O primeiro papa norte-americano, que atraiu a ira do presidente dos EUA, Donald Trump, depois de se tornar mais franco em suas críticas às guerras nas últimas semanas, também condenou o que chamou de "colonização" dos recursos de petróleo e minerais da Terra, que, segundo ele, está gerando conflitos sangrentos.

 

"O destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido sem uma mudança de direção na assunção da responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e acordos internacionais", disse o papa.

 

Em um discurso para o presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, e outros líderes políticos, o líder da Igreja, de 1,4 bilhão de membros, disse: "Deus não quer isso."

 

Ele acrescentou: "Seu santo nome não deve ser profanado pela vontade de dominar, pela arrogância ou pela discriminação. Acima de tudo, ele nunca deve ser invocado para justificar escolhas e ações de morte."

 

Em comentários anteriores, no voo de Angola para Malabo, na ilha de Bioko, no Golfo da Guiné, Leão 14 prestou homenagem ao seu antecessor, papa Francisco, que morreu há exato um ano.

 

Leão 14, que está visitando a Guiné Equatorial na última etapa de uma ambiciosa turnê de 10 dias, assumiu um novo estilo de discurso enérgico durante sua passagem pela África, fazendo denúncias contundentes sobre guerra, desigualdade e liderança global.

 

Ele advertiu na segunda-feira, em um evento em Angola, que muitas pessoas no mundo estão sendo "exploradas por autoritários e defraudadas pelos ricos".

 

Obiang lidera a Guiné Equatorial desde 1979 e tem sido amplamente criticado como um dos líderes mais repressivos da região.

 

Seu governo nega as alegações de abusos de direitos humanos e corrupção.

Os comentários de Leão 14 lamentando o uso da religião para justificar a violência ecoam as falas que ele fez em março, quando disse que Deus rejeita as orações de líderes com "mãos cheias de sangue".

 

Esses comentários foram interpretados por comentaristas católicos conservadores como sendo dirigidos ao secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que invocou a linguagem cristã para justificar a guerra contra o Irã.

 

Os comentários do papa nesta terça-feira ocorreram no momento em que Trump tem agendada a realização de uma leitura da Bíblia transmitida ao vivo na Casa Branca mais tarde no dia.

 

(Reportagem de Joshua McElwee; Reportagem adicional de Robbie Corey-Boulet, em Dacar)

 

 
 

 

 

 
 
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