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Peixes revelam sinais preocupantes sobre a saúde dos rios no Oeste do Paraná
  Data/Hora: 26.set.2026 - 11h 27 - Categoria: Cultura  
 
 
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Lesões em brânquias, danos no fígado e alterações genéticas encontradas em peixes acenderam um alerta sobre a situação dos rios do Oeste do Paraná. A baixa qualidade da água nos rios São Camilo, Santa Fé e Pioneiro revela sinais de degradação ambiental associados à ação humana na região.

O cenário, identificado em pesquisa da Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental (PPGETA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), pode comprometer a saúde dos ecossistemas aquáticos, reduzir a biodiversidade, favorecer desequilíbrios ecológicos e limitar os múltiplos usos da água, como o abastecimento, a irrigação, a piscicultura e a garantia de água potável para os animais.

GALERIA | Poluição aquática de um lado; danos biológicos do outro Para avaliar esses parâmetros, Fernando Garrido de Oliveira, orientado pela professora Lilian Dena dos Santos, utilizou, em sua tese de doutorado, métodos de monitoramento, biomonitoramento e ferramentas geotecnológicas.

As análises identificaram aumento de nutrientes, maior turbidez da água, excesso de sedimentos e presença de metais, indicadores associados ao processo de degradação ambiental e relacionados principalmente à atividade agrícola, uso de fertilizantes e agrotóxicos, urbanização e lançamento inadequado de efluentes não tratados.

Pesquisa buscou identificar “sinais invisíveis” de contaminação

Os biomarcadores avaliados funcionam como uma espécie de “termômetro” da saúde dos rios, pois permitem detectar os efeitos da contaminação diretamente nos organismos que vivem nos rios ao longo do tempo, diferentemente das análises químicas, que registram a presença de substâncias em um momento específico da coleta.

Mapas com resultados finais da pesquisa, incluindo as duas estações nas quais foram realizadas coletas de água

Uma das coordenadoras do Laboratório de Qualidade de Água e Limnologia da UFPR Palotina, Lilian dos Santos explica que as alterações fisiológicas, bioquímicas, histológicas e genéticas identificadas nos organismos aquáticos refletem condições ambientais que podem comprometer a sobrevivência, o crescimento e a reprodução das espécies.

“Quando esses efeitos ocorrem de forma contínua, há maior risco de redução das populações, diminuição da diversidade biológica e desaparecimento de espécies mais sensíveis à contaminação. Como consequência, os ecossistemas tendem a se tornar mais simples e menos resilientes, favorecendo a predominância de organismos mais tolerantes à poluição e reduzindo o equilíbrio ecológico dos ambientes aquáticos”, disse à Ciência UFPR.

(Clique para ampliar | Baixe em pdf)

O pesquisador Fernando de Oliveira alerta que, embora os principais impactos da degradação ambiental sejam inicialmente observados nos ecossistemas aquáticos, eles também podem representar riscos indiretos à saúde humana.

“A presença de contaminantes em rios e córregos pode comprometer a qualidade da água utilizada para abastecimento, irrigação, atividades produtivas e recreação. Além disso, substâncias como agrotóxicos, metais e outros poluentes podem se acumular nos organismos aquáticos e ser transferidas ao longo da cadeia alimentar, aumentando a exposição de animais e seres humanos. A degradação da qualidade da água também está associada ao aumento do risco de doenças relacionadas à contaminação hídrica e à proliferação de organismos patogênicos”, salienta.

Como o uso do solo influencia os rios

Segundo o estudo, o modelo agrícola predominante no Oeste do Paraná, baseado na sucessão soja-milho e na alta intensidade produtiva, exerce forte influência sobre a qualidade dos recursos hídricos da região.

“A expansão e o manejo dessas culturas estão associados à redução da vegetação ciliar, ao aumento dos processos erosivos e ao assoreamento dos cursos d’água. Além disso, o uso intensivo de fertilizantes e agrotóxicos favorece o transporte de nutrientes, sedimentos e contaminantes para os rios por meio do escoamento superficial. Esse aporte contínuo de poluentes contribui para alterações físico-químicas na água, para processos de eutrofização e para a degradação dos habitats aquáticos”, revelam os pesquisadores.

Os resultados evidenciam a necessidade da adoção de estratégias de manejo sustentável para garantir o desenvolvimento da piscicultura sem comprometer a integridade dos ecossistemas aquáticos.

“A melhoria da qualidade dos rios São Camilo, Santa Fé e Pioneiro depende de ações integradas voltadas à conservação dos recursos hídricos e ao uso sustentável do solo”, pontua Lilian.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão a recuperação e a preservação das matas ciliares (fundamentais para reduzir a erosão) e a adoção de métodos para o tratamento dos efluentes oriundos da piscicultura.  Também são essenciais o controle dos processos erosivos e do assoreamento, a ampliação e a eficiência dos sistemas de coleta e tratamento de esgoto e a adoção de práticas agrícolas que reduzam o uso inadequado de fertilizantes e agrotóxicos.

“No setor aquícola, o fortalecimento de estratégias de manejo sustentável pode minimizar o aporte excessivo de nutrientes e de matéria orgânica aos ambientes aquáticos. Além disso, o monitoramento contínuo da qualidade da água, aliado à avaliação de biomarcadores em organismos aquáticos, permite detectar precocemente impactos ambientais”, comenta Oliveira.

O estudo, fomentado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação Araucária, foi indicado como a melhor tese de doutorado de 2025 pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Tecnologia Ambiental. Um artigo derivado da pesquisa também recebeu prêmio no eixo Saúde e Meio Ambiente do VI Congresso da Sociedade de Análise de Risco Latino-Americana.

 
 

 

 

 
 
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