Prefeito é suspeito de comprar terras

 
 
   Categorias
  ATLETISMO
  Banco do Brasil
  Brasil
  Educação
  Ego Famosos
  ENTREVISTAS
  Esporte
  Eventos
  Falando Sério
  Familias
  Foz do Iguaçu
  Geral
  Itaipu Binacional
  Lindeiros
  Moda
  Mundo
  Oeste
  Opinião do Leitor
  Policiais
  Politica
  Santa Terezinha de Itaipu
  São Miguel do Iguaçu
  SICOOB
  SINSMI
  Sociais
  Virtudes e valores
 
     
   Colunistas
Bruno Peron
Cultura
Inácio Dantas
João Maria
Miss Paraná
 
   
 
   Previsão
 
 

 
 
 
Envie por email
 
Este depoimento sobre a resistência negra é o momento mais emocionante da Flip
  Data/Hora: 30.jul.2017 - 8h 22 - Colunista: Cultura  
 
 
clique para ampliar

"Eu trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. Aparentemente a gente teve uma libertação que não existe até hoje."

 

Fonte: Edition BR, via Isacir Mognon - Diva Guimarães, mulher negra e pobre, rouba o microfone e deixa Lázaro Ramos em lágrimas. Essa poderia ser a descrição de uma das cenas mais emocionantes da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). Porém, o momento vai muito além: Diva é um retrato do Brasil que resiste.

 

Em meio a uma palestra que ocorria na tarde desta sexta-feira (28), a professora deixou o público emocionado e foi recebida com muitos aplausos ao contar um pouco de sua história

.

"Eu fiquei muito emocionada que você chamou atenção de que estamos em uma plateia de maioria branca. Sou do sul do Paraná, você já pode imaginar... Só sobrevivi porque tive uma mãe que passou por toda humilhação para que os filhos pudessem estudar. Fui para um colégio interno aos cinco anos. Passavam as freiras, as missões pelas cidades recolhendo as crianças como se fosse assim... Em troca de você ir para essa escola estudar, na verdade você ia para trabalhar. Eu trabalhei duro desde os cinco anos. Sou neta de escravos. Aparentemente a gente teve uma libertação que não existe até hoje."

 

A professora falou sobre situações de preconceitos que enfrentou ao longo da vida por ser pobre e negra. Ela, que desde criança foi ensinada sobre o que era a desigualdade, afirmou que amadureceu aos seis anos ao ouvir de uma das freiras uma história que a marcou por toda vida.

 

A anedota servia para justificar o injustificável, o racismo.

"As freiras contavam que Jesus - eu demorei muito para aceitar o tal de Jesus -, Deus, criou um rio e mandou todos tomar banho na água abençoada daquele maldito rio. Ai, as pessoas que são brancas é porque eram trabalhadoras e inteligentes. Nós, como negros, somos preguiçosos. E não é verdade. Esse país só vive hoje porque meus antepassadas deram toda a condição. Então, nós, como negros preguiçosos, chegamos no final dos banhos e no rio só tinha lama. E é por isso que só nossas palmas da mãos e pés são claras. Nós só conseguimos tocar isso."

 

E prosseguiu:

"Ela contava essa história para mostrar aos brancos como nós eramos preguiçosos. E não é verdade. Porque senão nós não tinhamos sobrevivido."

 

No final da fala, Diva volta a relembrar sua mãe e a importância de estudar. Para ela, ter acesso à educação foi definidor para que pudesse construir sua própria trajetória.

 

"Eu sou uma sobrevivente pela educação. E pela minha mãe. Ela me pedia: 'Olha bem pra mãe. Se você quiser ser como a mãe, não vá para a escola'. E eu dizia: Não vou ser igual a senhora. Então ela me mandava ir estudar. Eu ia correndo para a aula."

 

No final do diálogo, o ator Lázaro Ramos não conteve a emoção: "Meu coração ficou pequeninho."

Sob aplausos da plateia, Lázaro defendeu a educação pública e a valorização de todos os professores do Brasil.

 

Sobre o evento

A 15ª edição da Flip ocorre entre 26 e 30 de julho, na cidade histórica do litoral sul do Rio de Janeiro. Paraty será palco de reflexões e debates sobre as atuais narrativas produzidas no Brasil e no mundo.

 

Com curadoria da jornalista Josélia Aguiar, o evento literário mais importante do país abre neste ano espaço inédito para a diversidade de vozes da literatura negra.

E não só isso.

 

Pela primeira vez em sua história, a Flip traz um número de autoras que supera o de autores. Serão 22 mesas com 46 autores, dos quais 22 são homens e 24 são mulheres.

 

O escritor homenageado deste ano será Lima Barreto (1881-1922), autor marginal cuja trajetória foi marcada pela crítica contundente ao cotidiano racista e de segregação social no Brasil.

 
     
Deixe seu comentário!
 
 
 
Auditoria da Dívida Publica
Banner lixamento
Laticinios
Alquimia
Bassani
comercial advogado
Pesqueiro das Irmãs
Banner esporte é vida
Banner Abraços
Otica PetriU