As imagens de violência e barbárie envolvendo a jovem Julia Paes, bacharel em direito, residente no centro de São Miguel, ocorrido no último dia 25 de outubro, ganhou repercussão nacional com mais de 400 mil visualizações em vários compartilhamentos.
O aumento da violência
política observado em todo o país, em especial desde o segundo turno das eleições,
preocupa e requer das nossas autoridades um olhar todo especial. Nesse caso de
São Miguel, por exemplo, mensagens que circularam em grupos, após o ocorrido, nos
dá a real dimensão deste problema. Entre as dezenas de comentários que podem
ser tipificados como crimes de ódio, racismo e xenofobismo, um deles diz: “...mas
batem muito mau! Não vê nem um roxo pela tunda que narra, tinha é que estar internada”.
Um outro – “aprende a escrever petista –
só para expressar minha opinião – o correto é, perda de tempo – injúria é a sua
existência...”
Segundo
Júlia, “no domingo, eu estava em via pública comemorando a vitória das eleições
presidenciais junto com meu companheiro, quando começaram a jogar garrafas
contra nós. Diante da situação, corremos para nossa casa e entramos para dentro
do portão, mas várias pessoas nos seguiram, invadiram nossa residência e nos
agrediram. Os vídeos registram parte do que aconteceu”.
Segundo ela,
eles permaneceram em frente à sua casa por mais de uma hora. “Eu liguei para a
polícia, mas fui informada de que havia muitas ocorrências naquele momento e
que não conseguiram chegar até o local”.
Relata que,
quando uma amiga chegou para verificar se estava tudo bem, eles tentaram entrar
novamente e quebraram o portão da casa. “Eles alegavam que estávamos com um
celular deles e diziam que iriam entrar na residência para procurar. Eu falei
que chamaria a polícia para fazer a revista, mas eles não aceitaram e
continuaram insistindo que entrariam sem a presença das autoridades”.
Relata que,
depois de aproximadamente uma hora e meia, eles foram embora. “Posteriormente,
relataram em um churrasco que não havia ocorrido violência e que meu namorado
teria roubado um celular deles, mas essa versão foi contestada após a
divulgação de um vídeo por terceiros, que teve grande repercussão no X e no
Instagram”.

Sobre as
providências, segundo ela, além de registrar o Boletim de Ocorrência, o seu
advogado está tomando as providências necessárias. “Estamos aguardando as imagens das câmeras de
segurança, que foram solicitadas inicialmente de forma amigável, mas tiveram o
pedido de entrega negado. Peço apoio para que essa situação seja divulgada,
pois continuo temendo pela minha segurança e acredito que os fatos precisam ser
devidamente apurados pelas autoridades competentes. Eu só quero que se faça,
Justiça – nada mais”, suplica.
Segundo levantamento do
Ministério da Justiça, que está preparando um mapeamento atualizado de
ocorrências - entre os dias 24 e 28, foram contabilizados 45 crimes dessa
natureza, com 47 vítimas e dez mortes, três delas de pessoas indígenas.
O que mais assusta, é vermos
influenciadores e até empresários divulgando vídeos nas redes sociais,
incentivando até mesmo a demissão de funcionários que não votaram pela
consciência política do seu patrão. Uma conduta deplorável, inaceitável que
deve ser punida com todo rigor.









Comentários 0
Participe da conversa. Os comentários são publicados após aprovação.
Ainda não há comentários publicados. Seja o primeiro a comentar.