Fonte: Rosane Oliveira/Zero Hora - Ao lado do procurador-geral de Justiça, Eduardo de Lima Veiga, o governador Tarso Genro apresentou na segunda-feira,
Desde domingo, o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, vem repetindo que a tragédia da boate Kiss se enquadra na categoria fatalidade. Que o fato de o plano de prevenção de incêndios estar vencido desde agosto não teve peso determinante para o desastre. Que o problema foi o vocalista da banda Gurizada Fandangueira ter disparado um sinalizador que produziu faísca e, em contato com o isolante acústico altamente inflamável, provocou o incêndio.
Com todo o respeito à dor do prefeito, que está sob violento estresse desde a madrugada de domingo, o que aconteceu
A cada novo elemento que surge na reconstituição dos fatos, a morte de pelo menos 230 jovens ganha contornos de homicídio culposo. O que a polícia, a perícia e o Ministério Público estão fazendo é apurar as responsabilidades. A prisão temporária dos sócios da Kiss e de dois integrantes da banda, incluindo o vocalista que teria soltado o sinalizador, tem pouca relevância. O objetivo da prisão temporária é impedir que os suspeitos de um crime fujam, apaguem provas ou pressionem testemunhas. Na esfera criminal, o que importa é o inquérito definitivo, o processo, o julgamento e o cumprimento das penas em caso de condenação. Na cível, serão inevitáveis as ações de indenização, que não aplacam a dor das famílias mas funcionam como pena adicional a quem foi negligente.
Há pelo menos 10 fatos que desqualificam a tese da fatalidade. São eles:
4. Não havia janelas (as dos banheiros, para onde dezenas de vítimas correram, eram fechadas com tábuas) e a boate se transformou numa câmara de gás.
5. No primeiro momento, segundo relatos de sobreviventes, os seguranças tentaram impedir a saída dos jovens que escapavam do fogo e da fumaça tóxica.
6. Efeitos pirotécnicos foram utilizados em um ambiente fechado, com isolamento acústico feito de material inflamável.
7. O extintor acionado por um dos integrantes da banda e depois por um segurança, não funcionou.
8. Se havia outros extintores, os funcionários não os acionaram.
9. Não se usou o sistema de som para avisar os jovens de que estava ocorrendo um incêndio e sugerir que procurassem a saída.
10. Não havia luzes de emergência para ajudar a encontrar o caminho da única saída.E, se não foi fatalidade, é preciso identificar e punir os culpados









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